terça-feira, 27/10/2026

China amplia presença no mercado brasileiro de carne com preços de frango até 20% inferiores.

A China está passando por uma transformação significativa em sua indústria agropecuária, resultando em um superávit na produção de carne e laticínios que agora começa a ser direcionado para o mercado internacional. Com uma…

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A China está passando por uma transformação significativa em sua indústria agropecuária, resultando em um superávit na produção de carne e laticínios que agora começa a ser direcionado para o mercado internacional. Com uma estratégia governamental focada em segurança alimentar e um consumo interno em declínio, o país tem encontrado novas oportunidades de expansão, especialmente em um cenário de preços competitivos.

De acordo com dados da Reuters, as exportações chinesas de produtos de frango alcançaram a marca de US$ 2,6 bilhões em 2025, quase o dobro do registrado em 2020. Esse crescimento é emblemático, pois a China se tornou um exportador líquido de carne de frango, enviando mais do que importa. Essa mudança é impulsionada por uma queda no consumo de carne suína—tradicionalmente a proteína mais consumida no país—e um aumento no apetite por frango, especialmente entre as populações urbanas.

Nos últimos anos, o consumo per capita de carne suína caiu 13%, enquanto o consumo de frango por pessoa aumentou mais de 50% na última década. Mesmo com essa mudança nos hábitos alimentares e uma desaceleração econômica, a produção de carne suína e de aves continuou a crescer, resultando em uma oferta excessiva que os produtores estão se esforçando para vender no exterior.

Os preços do frango chinês, que podem ser 10% a 20% mais baixos do que os brasileiros, têm atraído compradores internacionais. Ezequiel Pires, presidente da Branexx, uma comerciante internacional de carnes, destaca que a procura por frango chinês cresceu, especialmente entre clientes africanos em busca de alternativas mais acessíveis. A competição se intensifica na Tailândia, onde representantes da indústria local já expressam preocupações sobre o impacto dos preços chineses nas negociações com outros fornecedores.

Os dados de comércio internacional refletem essa nova dinâmica. A participação da China no mercado de produtos de aves processadas da União Europeia dobrou desde 2022, atingindo 10%, enquanto no Reino Unido, a fatia triplicou e superou 14%. Isso aumenta a concorrência para os produtores europeus e asiáticos e pode pressionar os exportadores brasileiros que disputam os mesmos mercados.

Além do frango, a China também está ampliando suas vendas de laticínios, com previsões de que as exportações alcancem US$ 600 milhões em 2026. Esse crescimento é sustentado por subsídios governamentais e uma produção em larga escala, que permitiram a redução de custos e o aumento da capacidade produtiva.

No entanto, a indústria chinesa ainda enfrenta desafios relacionados à confiança na qualidade de seus produtos, devido a um histórico de problemas de segurança alimentar. Para se firmar no mercado internacional, será crucial que os produtores demonstrem que seus produtos atendem aos rigorosos padrões sanitários exigidos, especialmente na União Europeia, que planeja reforçar a rastreabilidade a partir de 2027.

Em um mercado global cada vez mais competitivo, a combinação de produção eficiente, preços baixos e uma oferta excedente pode permitir que a China amplie sua presença nas exportações de proteínas, desafiando a posição de tradicionais exportadores como o Brasil.

Crédito da imagem: Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China