terça-feira, 27/10/2026

Avaliação do experimento de Bukele em tornar El Salvador um hub do bitcoin

Nayib Bukele, presidente de El Salvador, despertou grande entusiasmo ao prometer que a adoção do bitcoin transformaria o país em um modelo de “prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira”. Essa promessa foi feita durante…

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Nayib Bukele, presidente de El Salvador, despertou grande entusiasmo ao prometer que a adoção do bitcoin transformaria o país em um modelo de “prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira”. Essa promessa foi feita durante a conferência Bitcoin 2021, em Miami, onde o presidente anunciou um projeto de lei que tornaria El Salvador o primeiro país a adotar a criptomoeda como moeda de curso legal, ao lado do dólar americano.

Em setembro de 2021, essa promessa se concretizou, mas, cinco anos depois, o cenário se revela muito diferente do esperado. O dólar voltou a ser a única moeda oficial, a aceitação do bitcoin tornou-se facultativa, e a ambiciosa ideia de criar uma cidade futurista dedicada à mineração da criptomoeda ainda não saiu do papel.

A proposta de Bukele visava reduzir custos com remessas de salvadorenhos que vivem no exterior, que representam uma parte significativa do PIB do país. No entanto, dados mostram que, apesar do aumento nas remessas por meio de carteiras digitais, a maior parte ainda é enviada por meios tradicionais. Além disso, apenas uma pequena fração das empresas adotou o bitcoin, e a maioria da população se mostrou cética em relação aos benefícios prometidos.

Pesquisas indicam que a adesão ao bitcoin foi muito aquém do esperado. Enquanto Bukele continuou a adquirir bitcoins com recursos públicos, especialistas alertavam sobre os riscos associados às flutuações do mercado. A expectativa de que a criptomoeda atraísse investimentos e melhorasse a inclusão financeira não se concretizou, levando a uma revisão das políticas relacionadas ao uso do bitcoin.

Recentemente, El Salvador firmou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que condicionou novos financiamentos à redução dos riscos associados ao bitcoin, resultando em mudanças na legislação que tornaram o uso da criptomoeda opcional. A transferência do controle da carteira digital estatal Chivo para uma empresa privada também sinaliza uma mudança de direção, colocando em dúvida a continuidade dos planos originais de Bukele.

Embora a experiência de El Salvador tenha gerado discussões sobre a viabilidade do bitcoin como moeda oficial, o que realmente se destaca é a relação do governo com o FMI e a adaptação às exigências econômicas. A história ainda está sendo escrita, mas a realidade atual sugere que a transformação prometida pelo presidente enfrentou desafios significativos, levando a um reexame das expectativas e dos resultados dessa ousada empreitada financeira.