O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fez declarações contundentes nesta sexta-feira (23), ao afirmar que o projeto de ajuste fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca equilibrar as contas públicas de forma responsável, evitando medidas drásticas que poderiam desestabilizar a economia. Segundo Durigan, o governo tem como meta reduzir o endividamento público para facilitar a queda nas taxas de juros e estimular a recuperação econômica, que vem apresentando sinais de desaceleração.
Em entrevista ao Uol, o ministro criticou a proposta da oposição de um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões em um único ano, considerando-a irrealista e prejudicial. “É possível melhorar a situação fiscal, mas sem retrocessos. Os números apresentados pela oposição não refletem a realidade”, afirmou. Essa posição reflete uma preocupação generalizada entre analistas econômicos, que alertam para os riscos de um ajuste fiscal excessivo, especialmente considerando os déficits acumulados nos últimos anos.
Flávio Bolsonaro, candidato que disputará o segundo turno das eleições contra Lula no próximo domingo (25), prometeu uma abordagem mais agressiva, apelidada de “tesouraço”, para cortar gastos públicos. Sua campanha enfatiza a necessidade de um equilíbrio fiscal que, segundo seu programa de governo, deve ser acompanhado por reformas estruturais e a redução de impostos. Embora tenha sido convidada para a mesma entrevista, a coordenadora da campanha de Bolsonaro, Daniella Marques, não compareceu devido a compromissos de agenda.
Por outro lado, economistas têm manifestado dúvidas sobre a viabilidade de um ajuste fiscal rápido e de grande escala, especialmente quando se leva em conta os compromissos do governo atual em manter programas sociais e garantir aumentos reais no salário mínimo e nas aposentadorias. Essas promessas levantam questões sobre como equilibrar as contas sem comprometer serviços essenciais.
O plano do governo Lula, segundo Durigan, é implementar um ajuste fiscal gradual, com a expectativa de alcançar um superávit de 1,6% do PIB até 2030. No entanto, especialistas alertam que essa meta é desafiadora, especialmente considerando as novas obrigações, como os reajustes no Bolsa Família. De acordo com um relatório da Instituição Fiscal Independente, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB apenas para estabilizar a dívida pública, situação que torna o cenário ainda mais complexo.
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