domingo, 08/11/2026

Apple limita sugestões de termos polêmicos relacionados a figuras políticas no iPhone

A Apple está no centro de uma polêmica após a revelação de que mantém uma lista extensa de palavras e expressões que não são sugeridas pelo teclado do iOS, conforme apontou o pesquisador Derik…

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A Apple está no centro de uma polêmica após a revelação de que mantém uma lista extensa de palavras e expressões que não são sugeridas pelo teclado do iOS, conforme apontou o pesquisador Derik Kauffman. Essa lista, que inclui termos em diversos idiomas, é uma tentativa da empresa de controlar o que usuários de iPhone podem digitar facilmente, evitando sugestões que possam ser consideradas ofensivas ou controversas.

Kauffman, que descobriu a lista, afirma que essa prática representa uma forma sutil de censura. Ele argumenta que, embora a Apple permita que os usuários escrevam as palavras de forma manual, a ausência de sugestões automáticas pode influenciar a maneira como as pessoas se comunicam. Termos como “dictator Trump” e “sleepy Joe” são exemplos de expressões que não são facilmente acessíveis através do teclado, o que levanta questões sobre a liberdade de expressão no ambiente digital.

A lista não se limita a palavras vulgares ou relacionadas a drogas e violência, mas também abrange expressões com conotações políticas e sociais. Em um contexto global, as restrições variam de acordo com o idioma. Por exemplo, em hindi, termos que criticam figuras políticas são igualmente bloqueados, enquanto em francês e hebraico, expressões que discutem questões sociais e políticas são igualmente omitidas.

Embora a Apple tenha se limitado a afirmar que o teclado foi projetado para prevenir sugestões inadequadas, não se pronunciou sobre os critérios específicos usados para a seleção das palavras. Isso levanta preocupações sobre a transparência da empresa e a potencial manipulação da comunicação dos usuários.

A descoberta de Kauffman não é um caso isolado, já que outros usuários, incluindo um administrador de sistemas da Noruega, também identificaram palavras que parecem ser censuradas. O engenheiro Matt Suiche, por sua vez, corroborou a existência da lista, destacando sua importância para entender como a comunicação digital pode ser filtrada.

A discussão em torno da lista da Apple ecoa debates mais amplos sobre o papel das empresas de tecnologia na moderação de conteúdo e na influência que têm sobre a comunicação humana. Enquanto muitos reconhecem a necessidade de evitar conteúdos potencialmente prejudiciais, a falta de clareza e a ausência de opções de personalização para os usuários são preocupações que não podem ser ignoradas. O alerta de David Greene, da Electronic Frontier Foundation, sobre a necessidade de maior transparência nesse processo é um indicativo de que a sociedade deve estar atenta às práticas das gigantes da tecnologia.