segunda-feira, 26/10/2026

Crescimento do PIB e redução do desemprego marcam balanço econômico de Lula 3, apesar dos desafios com juros e endividamento.

A recente reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se deu sem desafios, mesmo em um cenário onde a economia brasileira apresenta melhorias significativas. O presidente conquistou 51,79% dos votos válidos no…

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A recente reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se deu sem desafios, mesmo em um cenário onde a economia brasileira apresenta melhorias significativas. O presidente conquistou 51,79% dos votos válidos no segundo turno, uma vitória apertada que revela um paradoxo: enquanto os números do crescimento econômico e a redução do desemprego são animadores, a percepção de bem-estar financeiro entre os cidadãos permanece limitada.

Apesar de três anos consecutivos de crescimento econômico e do desemprego atingindo mínimos históricos, a sensação de alívio financeiro não é compartilhada por todos. Economistas apontam que o crescimento não beneficiou igualmente todos os setores e trabalhadores. A coordenadora do Boletim Macro da FGV, Silvia Matos, salienta que os dados agregados ocultam desigualdades que persistem entre diferentes segmentos da população. “O PIB é uma média que não reflete a realidade de todos”, explica ela, destacando a discrepância entre setores como agropecuária e comércio.

Além disso, o alto custo de vida e a pressão sobre as finanças familiares dificultam a celebração das conquistas econômicas. Em julho de 2026, as famílias destinaram quase 29% da renda mensal para quitar dívidas, enquanto a pesquisa de endividamento apontou um aumento preocupante no percentual de famílias endividadas. O cartão de crédito continua sendo a principal fonte dessas dívidas, que se tornaram uma sombra sobre a recuperação econômica.

O governo tem tentado aliviar essa situação com programas de renegociação de dívidas, mas especialistas afirmam que as soluções a curto prazo não resolvem os problemas estruturais que geram o endividamento. “Mudanças nas condições de crédito e controle das despesas públicas são essenciais para um alívio duradouro”, ressalta Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria.

A política fiscal do governo Lula também enfrenta críticas, especialmente em relação ao aumento dos gastos e à dificuldade em garantir receitas permanentes. A dívida pública continua a crescer, e o déficit primário permanece elevado, o que pode resultar em juros mais altos e dificultar a recuperação da economia. A taxa Selic, que se manteve em patamares elevados, impacta diretamente o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

Mesmo em meio a críticas, algumas iniciativas do governo, como a reforma tributária e a manutenção da autonomia do Banco Central, são vistas como passos positivos. Contudo, a expectativa de uma mudança na política de juros com a nova presidência do BC não se concretizou, o que fez com que muitos esperassem mais do que os resultados atuais podem oferecer.

Por fim, a polarização política e a frustração em relação às expectativas de crescimento econômico também pesam sobre a avaliação do governo. A percepção de que a prosperidade dos primeiros mandatos de Lula não se repetiu rapidamente gera descontentamento, mesmo em um contexto de indicadores econômicos que, embora positivos, não atingem a todos de maneira uniforme. Assim, a reeleição de Lula, marcada por uma vitória apertada, reflete não apenas a performance econômica, mas também as complexas dinâmicas sociais e políticas que permeiam o Brasil atual.