segunda-feira, 26/10/2026

Governo argentino de Milei planeja demitir mais 20 mil servidores públicos após 77 mil cortes anteriores.

Na última segunda-feira, 19, o governo argentino anunciou um novo plano de demissão voluntária, visando cortar mais 20 mil postos de trabalho na administração pública. Este movimento se insere em um contexto mais amplo…

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Na última segunda-feira, 19, o governo argentino anunciou um novo plano de demissão voluntária, visando cortar mais 20 mil postos de trabalho na administração pública. Este movimento se insere em um contexto mais amplo de redução de pessoal que já resultou na eliminação de mais de 77 mil vagas desde a posse do presidente Javier Milei, em dezembro de 2023.

O programa, que terá duração de um mês a partir de 1º de novembro, oferecerá compensações diferenciadas com base na idade e no tempo de serviço dos funcionários. Contudo, aqueles que optarem por aderir ao plano estarão impedidos de retornar ao serviço público por um período de oito anos. A medida foi justificada pelo governo como uma forma de garantir uma “adequada e eficiente alocação dos recursos públicos”.

O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, defendeu a iniciativa em suas redes sociais, destacando a continuidade na busca por formas de reduzir gastos públicos e, consequentemente, impostos. Entretanto, a proposta gerou reações negativas, especialmente entre os trabalhadores do setor público. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) organizou uma marcha em protesto, qualificando o plano como uma “demissão extorsiva”. O secretário-geral do sindicato, Rodolfo Aguiar, expressou a rejeição total ao decreto.

A política de austeridade de Milei, frequentemente referida como “motosserra”, tem como alvo prioritário o funcionalismo público. Dados recentes indicam que, desde a chegada do atual governo, 21% dos empregos no setor estatal foram eliminados, enquanto o setor privado também enfrentou dificuldades, perdendo 270 mil postos de trabalho no mesmo período.

Apesar das alegações do governo de que cerca de 400 mil novas vagas foram criadas, essa cifra inclui muitos empregos informais e autônomos, refletindo um crescimento da informalidade no mercado de trabalho argentino, que já atinge cerca de 45% da força laboral. A situação econômica do país continua a ser desafiadora, com a combinação de crescimento e queda da inflação contrastando com níveis alarmantes de pobreza e desemprego.

Crédito da imagem: Milei chama ONU de 'inútil' em discurso na Assembleia Geral