A Anvisa emitiu um alerta sobre os perigos associados ao uso de canetas emagrecedoras caseiras que contêm tirzepatida em pó, um composto utilizado em tratamentos de emagrecimento. Essa advertência surge em meio a um cenário promissor para o mercado de medicamentos para emagrecer, que deve crescer exponencialmente nos próximos anos, especialmente no Brasil, China e Índia.
De acordo com estimativas do banco J.P. Morgan, o mercado desses medicamentos, que atualmente movimenta US$ 6,6 bilhões (aproximadamente R$ 33 bilhões), pode atingir a cifra de US$ 22 bilhões (R$ 110 bilhões) até 2035. O crescimento projetado é impulsionado pela diminuição dos preços e pela ampliação do acesso a esses tratamentos, que ainda são subutilizados em países emergentes.
Os analistas do banco, liderados por Yang Huang, destacam que o avanço na utilização de medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Zepbound, da Eli Lilly, reflete uma mudança nas tendências de saúde global. Essas drogas, que imitam a ação do hormônio GLP-1, ajudam a controlar o açúcar no sangue e a diminuir o apetite, sendo assim indicadas tanto para diabetes quanto para casos de obesidade.
O Brasil, com cerca de 12% de sua população adulta afetada pela diabetes, é atualmente o maior mercado entre os três, mas a expectativa é que apenas 7% a 8% das pessoas com obesidade no país utilizem esses medicamentos até 2035. Em comparação, nos Estados Unidos, essa taxa pode chegar a 30%. O J.P. Morgan prevê que a China, com sua vasta população diabética, ultrapasse o Brasil e se torne o principal mercado até 2027.
Embora o potencial de crescimento seja evidente, a adoção desses medicamentos ainda é limitada, com menos de 0,1% da população chinesa e menos de 0,2% da indiana utilizando tratamentos da classe GLP-1. Fatores como preços elevados e resistência cultural ao uso de medicamentos injetáveis são barreiras significativas, especialmente na Índia, onde a aceitação de novas terapias pode ser mais lenta.
À medida que os medicamentos GLP-1 se tornam mais acessíveis, a Anvisa alerta para os riscos das alternativas caseiras, que podem ser perigosas para a saúde. A crescente demanda por soluções de emagrecimento, refletida em 1,3 milhão de pedidos de canetas em seis meses, revela uma busca intensa por métodos eficazes, mas que deve ser acompanhada de cautela e orientação médica adequada.



