terça-feira, 27/10/2026

Serasa estima que El Niño pode impactar a produção de soja no Brasil em até 10%

A safra de soja brasileira para 2026/27 enfrenta um horizonte repleto de incertezas, com previsões indicando uma possível queda de 10% na produção devido aos efeitos de um El Niño severo. A estimativa da…

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A safra de soja brasileira para 2026/27 enfrenta um horizonte repleto de incertezas, com previsões indicando uma possível queda de 10% na produção devido aos efeitos de um El Niño severo. A estimativa da Serasa Experian, divulgada nesta terça-feira (27), sugere que a produção pode cair de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas, refletindo os desafios climáticos que podem impactar as principais regiões de cultivo do país.

Enquanto o Brasil mantém sua posição como líder global na produção e exportação de soja, o estudo aponta que, apesar da ampliação da área plantada — um aumento de 900 mil hectares em relação à safra anterior, totalizando 49,9 milhões de hectares —, a produtividade das lavouras deve enfrentar dificuldades. A escassez de chuvas e o aumento das temperaturas são fatores que podem comprometer o potencial de colheita, especialmente no Centro-Oeste. Os dados indicam que Mato Grosso pode perder até 9,7 milhões de toneladas, enquanto Goiás pode enfrentar uma redução de 4 milhões de toneladas.

Em um contexto onde o plantio avança rapidamente em diversas regiões, o Sul do Brasil se destaca negativamente, com chuvas excessivas que têm atrasado o trabalho no campo. De acordo com a AgRural, até a última quinta-feira, 40% da área prevista para a soja já havia sido semeada, embora o tempo continue a ser um fator determinante na produtividade futura.

Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa, aponta que a fase de risco climático agora se estende além do plantio, abrangendo a distribuição das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras. “A preocupação não é mais apenas com a semeadura, mas com como as chuvas vão se comportar ao longo do ciclo das plantas”, observa Oliveira, enfatizando que ainda é prematuro afirmar que a safra está livre dos impactos negativos que o fenômeno climático pode trazer.

Historicamente, episódios de El Niño têm mostrado que as consequências podem ser drásticas. Em 2024, a produtividade média da soja brasileira caiu mais de 8% em relação ao ano anterior, atingindo 3.282 quilos por hectare, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa situação pode se repetir, com perdas estimadas em até R$ 33 bilhões para o setor, conforme a Serasa. Contudo, vale lembrar que uma oferta reduzida de soja pode também elevar os preços, alterando as condições de mercado.

Os impactos do El Niño não são homogêneos em todo o Brasil. Enquanto alguns estados, como o Rio Grande do Sul, podem se beneficiar com um aumento de 5,5 milhões de toneladas, outros 13 estados devem enfrentar perdas significativas, incluindo importantes produtores como Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Assim, a safra de soja de 2026/27 se apresenta não apenas como uma questão de quantidade, mas de qualidade e viabilidade econômica para o setor agrícola brasileiro.