A conta de luz no Brasil apresenta um peso significativo no orçamento das famílias e empresas, sendo um dos principais fatores que impactam os gastos mensais. Em um condomínio na Zona Norte do Rio de Janeiro, que abriga mais de 3 mil moradores, o custo da energia elétrica chega a impressionantes R$ 40 mil mensais, representando entre 20% e 40% do total da taxa condominial, segundo o síndico Jorge Lima. Essa realidade reflete um problema mais amplo que afeta o setor energético nacional.
Um estudo recente do economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas, revela que a estrutura de tarifas no Brasil é complexa e onerosa. Em média, apenas 30,4% da conta de luz é referente ao custo da energia em si. O restante é dividido entre distribuição (26%), transmissão (10%), encargos setoriais (15%) e tributos (18%). Essa composição elevada de encargos e impostos torna a energia elétrica no Brasil uma das mais caras em comparação a países com perfis semelhantes em geração de energia.
Embora o Brasil possua uma matriz energética predominantemente renovável, com grande dependência de hidrelétricas, a prática de aquisição obrigatória de energia de termelétricas e a implementação de bandeiras tarifárias, que aumentam os custos durante períodos de seca, contribuem para a elevação das tarifas. Em um ranking global, o Brasil não é o país com a energia mais cara, mas as tarifas superam as de nações como Canadá e Noruega, que também utilizam fontes renováveis de maneira mais eficiente.
O impacto dessa realidade é sentido fortemente pelo setor produtivo. Indústrias, como uma de processamento de pescado, relatam que o custo da energia é um fator crítico para a competitividade. A empresa, que existe há 82 anos, investiu em energia solar e em tecnologias que aumentam a eficiência energética, conseguindo uma redução de até 30% em seus custos. Para o gerente de Meio Ambiente da empresa, Cacio de Moura Rodrigues, a implementação de políticas públicas que promovam energia limpa e acessível poderia resultar em produtos mais baratos e, consequentemente, em um crescimento econômico sustentável.
O cenário atual exige uma análise profunda das estruturas tarifárias e uma coordenação mais eficaz entre os diferentes níveis de governo. Com um olhar voltado para a inovação e a eficiência, é possível vislumbrar um futuro onde a energia elétrica não seja um entrave, mas sim um facilitador do desenvolvimento econômico e social do Brasil.


