terça-feira, 03/11/2026

Eleições intermediárias nos EUA podem impactar estratégias de Trump e influenciar mercado financeiro no Brasil

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, programadas para esta terça-feira (3), podem ter implicações significativas não apenas para a política interna americana, mas também para a economia global, incluindo o Brasil.…

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As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, programadas para esta terça-feira (3), podem ter implicações significativas não apenas para a política interna americana, mas também para a economia global, incluindo o Brasil. A disputa pelo controle do Congresso é crucial para o presidente Donald Trump, cujas políticas podem ser fortemente impactadas dependendo do resultado.

Com a renovação de todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 do Senado, as chamadas “midterms” são um termômetro da aprovação presidencial. Atualmente, o cenário não é favorável para Trump, que enfrenta a desaprovação de 66% dos americanos, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos. As previsões do BTG Pactual indicam uma vantagem dos democratas, especialmente na Câmara, onde a probabilidade de vitória é de 96% segundo dados do “The Economist”. No Senado, a disputa é mais acirrada, mas as projeções ainda favorecem os democratas.

Uma possível “onda azul”, que se refere ao controle das duas Casas do Congresso pelos democratas, pode restringir a capacidade de Trump de implementar suas políticas, aumentando a fiscalização sobre seu governo. Especialistas, como Andressa Durão, destacam que essa mudança no equilíbrio de forças reduziria a margem de manobra do presidente, limitando sua agenda legislativa em um momento em que a insatisfação popular cresce devido ao aumento do custo de vida, especialmente no setor de combustíveis.

As consequências dessa eleição vão além das fronteiras americanas. Para o Brasil, os resultados podem influenciar diretamente a cotação do dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA. Se os democratas conquistarem o controle, a expectativa é que o espaço para novas expansões fiscais diminua, o que poderia aliviar a pressão sobre os juros americanos e tornar mercados emergentes, como o Brasil, mais atraentes para investidores.

Por outro lado, uma vitória republicana pode proporcionar a Trump uma maior liberdade para implementar cortes de impostos e desregulamentação, potencialmente aumentando o déficit público e pressionando a inflação. Isso, por sua vez, poderia reforçar a valorização do dólar frente ao real.

A relação entre os presidentes Trump e Lula da Silva também se apresenta como um fator de incerteza para investidores. A expectativa de um relacionamento mais tenso entre os dois governos pode gerar receios sobre novas tensões comerciais. Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil, sugere que a dinâmica do novo Congresso americano poderá influenciar a continuidade das tarifas impostas por Trump, embora a legalidade dessas medidas ainda seja debatida nas instâncias judiciais americanas.

Com as oscilações do dólar e as expectativas de alta dos juros nos EUA, o impacto das eleições americanas no Brasil deve ser monitorado de perto, especialmente em um cenário onde o real se comporta de maneira diferente de outras moedas emergentes. A proximidade de uma nova administração no Brasil, sob Lula, adiciona outra camada de complexidade ao já intricado panorama econômico internacional.