A recente crise do Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do Paraguai com aproximadamente 3 milhões de clientes, resultou na renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central paraguaio. A situação não apenas levantou questões sobre a solvência da instituição, mas também intensificou a pressão sobre o governo de Santiago Peña, que já enfrentava um cenário político desafiador.
O Ueno, que se destaca como o maior emissor de cartões de crédito do país, viu seu índice de solvência despencar para menos da metade do mínimo exigido após a revisão de seus balanços financeiros. Essa queda alarmante levou o Banco Central a implementar medidas de proteção para os depositantes e a iniciar investigações sobre possíveis irregularidades financeiras. O Ministério Público, por sua vez, solicitou a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito indivíduos ligados ao banco.
Nos últimos meses, o Ueno já estava sob vigilância rigorosa das autoridades, que investigavam a possibilidade de que o banco tivesse financiado a venda de ativos de uma empresa conectada ao seu controlador, o Grupo Vázquez, o que foi veementemente negado pelo banco. A situação gerou um desgaste significativo para o governo de Peña, que tem laços diretos com o grupo controlador, tendo sido sócio até março de 2025. A crise também coloca em risco a imagem do Paraguai como um destino promissor para investimentos estrangeiros, especialmente provenientes do Brasil.
Clientes do Ueno, incluindo aposentados que dependem de benefícios governamentais, foram surpreendidos ao encontrarem as agências do banco fechadas, demandando acesso aos seus fundos. Manuel Cáceres, um dos clientes afetados, expressou sua frustração: “Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”. Em resposta à crise, o presidente Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que permitirá o uso do Fundo de Garantia do país para garantir os pagamentos aos depositantes.
Peña procurou minimizar as preocupações ao afirmar que a situação do Ueno era um caso isolado, sem implicações mais amplas para o sistema financeiro nacional. Contudo, as críticas à administração do Banco Central e a gestão do Ueno persistem, levando à saída de Carvallo, que afirmou que sua renúncia poderia ajudar a despolitizar a crise e permitir que as autoridades focassem na resolução do problema sem distrações.
O impacto da crise já se refletiu nos mercados, afetando os títulos em dólar do Ueno e a dívida soberana do Paraguai. Desde sua ascensão como uma fintech de nicho até se tornar um banco de médio porte, o Ueno enfrentou um caminho repleto de desafios, agora intensificados pela crise atual.



